Translate

Pesquise Aqui

sábado, 14 de maio de 2016

Família Sten

Parecia como mais um dia qualquer de primavera na pequena rua sem saída onde eu vivia. Folhas secas voando como borboletas ao vento, pássaros estourando seus pulmões de tanto cantarolar e crianças como eu brincando em frente a suas casas. Essa cena para mim era inédita, pois seria minha primeira vez brincando no jardim da frente. Não sabia até esse dia o porém de não poder pisar ao menos ultrapassar a "linha" da calçada a rua. Nem eu, nem minha mãe, nem meu pai, nem os vizinhos passavam daquela famosa "linha" imaginaria. Os alimentos e remédio apareciam em nossas casas por um passe de mágica.
          Mas então...porque não furar o famoso bloqueia apenas uma vez? A família Sten fazia isso todo dia! Eles eram os donos da rua?
-agora ou nunca- pensei comigo mesma; fui decisiva em 3 passos largos já estava eu menos de um centímetro da linha "Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah" buraco preto, em queda livre, apenas gritando desesperadamente, Sim, meu nariz ultrapassou a linha e eu fui sugada pelo buraco negro que para mim  era uma rua,mas não!. Se eu estou viva? Sim estou.
          Como? Nem eu acredito, na verdade acredito pois não passou nem de um simples pesadelo. Sim eu moro em uma rua sem saída, e a família Sten, Hagata Sten é a minha melhor amiga.
 
 
/Blog da Rua Sem Saída, e seus pesadelos // (Para rir com toda a vizinhança)

"Não há lugar com mais magia e superstição no cotidiano do que na Escócia."

Eu e meus amigos estávamos reunidos no pátio de minha casa ao redor de uma fogueira, contando histórias de fantasmas, já eram mais de 3h da madrugada, diga-se de passagem.
  Travis, o qual dentre nós sabia mais histórias de terror ou de qualquer outro tipo, estava falando do quanto a nossa cultura escocesa estava cheia de magia, superstição e castelos mal assombrados.
  - Vocês conhecem a lenda do Gaiteiro de Duntrune, que assombra o Castelo de Duntrune, aqui na Escócia? - Travis nos perguntou .
  -Não, creio que nunca ouvi.- Mary respondeu por todos naquela roda - Você pode contar para a gente, não é?
   -Mas é claro que posso, por que não?
"Há muito tempo atrás, quando a Escócia ainda era uma ilha aonde existiam diversos clãs, dois (clãs) em particular estavam disputando o Castelo de Duntrune. Era o clã Campbell e o clã Mcdonald. Duntrune no momento estava sobre pose do Clã Campbell, e os Mcdonald queriam toma-lo para si.
    Resolveram então mandar um espião para dentro das muralhas do castelo, para ser o seus olhos e seus ouvidos e relatar tudo o que estava acontecendo dentro daquelas paredes. Para esse serviço escolheram um jovem rapaz, com grandes habilidades na gaita de foles. Infelizmente, o espião foi descoberto e aprisionado em uma das torres dos castelo.
     O clã Mcdonald, querendo vingança pela prisão do rapaz, decidiu atacar o castelo, desconhecendo o fato de que estavam em menor numero e que por isso certamente seriam vencidos. O gaiteiro espião aprisionado na torre percebendo isso, tocou em sua gaita de foles uma canção de retirada, para tentar alertar os seus companheiros. O Clã entendeu o recado e retirou as suas tropas dos arredores do castelo.
   Lamentavelmente, o Clã Campbell também entendeu o que o gaiteiro havia feito, e foi ordenado que cortassem os dedos das mãos do pobre rapaz (algumas lendas conta que as mãos inteiras deles foram cortadas).
    As pessoas que hoje visitam o castelo conta que ainda pode-se ouvir o Gaiteiro de Duntrune tocando a gaita na torre para avisar os seus companheiros do perigo em invadir o castelo."
     Horas depois, quando todos ja estavam em suas camas dormindo, eu levantei e fui até à cozinha beber um copo de água, nao conseguia parar de pensar na historia que Travis havia contado. Quando estava caminhando pelo corredor, voltando para o meu quarto, comecei ouvir pequenas melodias quase surdas, melodias doces e encantadoras. 
       Podia jurar que era uma gaita de foles.

O Hotel Mal Assombrado

Eu não me importei nem um pouco com os comentários que todos estavam fazendo. O recepcionista me alertou sobre a construção antiga que esse lugar é, o carregador me falou sobre uns ruídos estranhos que se ouvem todas as noites, o ascensorista disse para tomar cuidado se por acaso eu visse algum vulto no corredor à noite. Já a camareira falou que durante a noite as camas se mexem. Como eu achei que fossem pobres infelizes e sem instrução, é claro que eu não acreditei em nada do que eles disseram.
            Porém, no meio da noite eu dormia tranquilamente, quando a cama começou a balançar como se estivesse possuída. Eu, logicamente, comecei a gritar de medo e sai correndo para o corredor, onde estava o meu quarto. Foi nesse exato instante que tudo se acalmou e fez um silêncio aterrorizador, que foi interrompido por uns gemidos estranhos. Eu fiquei apavorada, corri até o elevador e apertei o botão do painel. Foi questão de tempo para ele subir e eu relatar para o ascensorista o que me aconteceu, e nesse momento nos deparamos com uma caixa que vinha se arrastando sozinha no meio do corredor. Nós dois nos olhamos com expressões de medo, e nem pensamos duas vezes para entrarmos no elevador e descermos até o andar térreo. Quando a porta do elevador se abriu, nós encontramos a camareira que era a esposa do ascensorista, e eu contei para ela o que aconteceu.
            Ela me respondeu que achava até normal todos aqueles fenômenos, menos o da caixa de papelão, e quando nós três estávamos nos questionando o que aconteceu, percebemos no alto da escada algo que se movia lentamente. Lá estava ela, a famosa caixa de papelão havia descoberto o caminho das escadas e estava descendo elas um pouco mais rápido do que se movia. Nós três corremos para o hall, e começamos a ouvir os famosos barulhos, só que mais perto de nós.
            Começamos a gritar feito loucos, até que eu estranhei e fui ver o que era. Os tais barulhos eram nada mais nada menos que os sons da tubulação de ar. Mas gritamos mais ainda quando a caixa chegou ao hall. Foi nesse momento que o carregador chegou, se desculpando porque ele havia encurralado-o dentro da caixa no andar do meu quarto. E que não era a primeira vez que ele tinha que se meter debaixo de uma cama para pegar e trancá-lo bem para ele não incomodar os hóspedes. Quando perguntamos do que ou de quem ele estava falando, ele se abaixou e levantou a caixa, tirando debaixo dela um pobre gato. Ele pegou o bichano se levantou e perguntou a camareira:
            “E então Maria, onde é que a gente vai trancar ele?”